domingo, 12 de agosto de 2007
GiBa CoNtRa AtAcA
Craque da seleção de vôlei, Gilberto Amauri de Godoy Filho teve leucemia aos seis meses, conseguiu curar-se e faz exames periódicos para evitar recaídaFábio Bittencourtde São PauloA leucemia linfática aguda é um tipo de câncer comum entre as crianças com idades de zero a cinco anos. A cada dez casos de câncer diagnosticados, quatro se referem a esse tipo, segundo dados norte-americanos. Em 1977, a técnica em nutrição Solange Santamaria, 47 anos, descobriu esses dados na prática. Ela soube que seu filho Gilberto Amauri de Godoy Filho, com apenas seis meses, sofria de leucemia. A criança passou, então, a enfrentar a maratona de tratamento, tomando diversos medicamentos. Foi assim durante um ano. Duas décadas depois, Gilberto transformou-se em um tipo de jovem que jamais sua mãe imaginaria. "Só parei para pensar nisso pouco tempo atrás", diz Giba, 30 anos, jogador da seleção brasileira masculina de vôlei e que está em Córdoba, na Argentina, disputando o Campeonato Sul-Americano. "Nunca tive noção da gravidade da situação."No Brasil, não existem dados específicos sobre o número de crianças que sofrem da doença e nem por que algumas conseguem a cura. Sabe-se, porém, que só no Hospital do Câncer, em São Paulo, surgem em média 50 casos da doença por ano. Desse total, 80% conseguem se curar graças ao recurso da quimioterapia. Giba, porém, engrossou a lista das crianças que, quando adultas, parecem nunca ter sofrido de uma doença grave como essa. Mesmo assim, a mãe cuidadosa não se distrai. "Na seleção, ele tem o apoio de médicos 24 horas por dia", diz Solange.Giba só se conscientizou da gravidade da doença que enfrentou quando, há três anos, viu-se diante de um quadro semelhante. Gianluca, 5 anos, filho do ex-jogador Renan Dal Zotto, 38 anos, sofre do mesmo mal. Na época em que o garoto teve a doença diagnosticada, Giba jogava no Chapecó, em Santa Catarina, sob a supervisão de Renan. "Vi o que ele passou, foi muito difícil", conta Giba. "Agora, o garoto está se recuperando", diz o jogador.Desde que foi convocado para a seleção brasileira infanto-juvenil, em 1993, a mãe parou de se preocupar com os exames de sangue periódicos de Giba. O cuidado é necessário, mesmo sabendo que com o passar dos anos, a possibilidade de o câncer voltar é cada vez menor. "O controle é necessário durante a vida toda", explica a médica Beatriz Camargo, chefe do departamento de Pediatria do Hospital do Câncer. "Os exames são necessários para evitar possível recaída da doença", conclui. "Ele mantém um bom desempenho nas quadras", diz João Olyntho Machado, 40 anos, um dos médicos da seleção brasileira.Ursinho na cama Giba nasceu em Londrina e cresceu irrequieto, como outros de sua idade. Certa vez, fez Solange levantar-se às 5h da manhã para procurar um galo de estimação, o Tadeu. "Ele adorava bichos, seu sonho era ser médico veterinário", lembra a mãe. Seu pai, Gilberto Amauri de Godoy, jogador profissional de futebol de salão, tentou colocar o garoto para jogar bola com os pés. Em vão. O menino gostava mesmo era de brincar na rua. Aos 11 anos, ficou internado três dias em um hospital por ter caído de uma árvore. Foi submetido a uma cirurgia de cinco horas, levou 150 pontos no braço. Dois anos depois, seus pais se separaram e Giba se mudou para Curitiba, onde morou com a mãe e a irmã Fernanda, 26 anos, até os 17 anos. Seu currículo é volumoso: já passou pelas equipes Chapecó, Cocamar, Olimpikus, Suzano,Minas Tênis Clube e hoje joga no Cuneo (ITA).Na casa da mãe, em Curitiba, guarda os presentes que ganha das fãs. Entre terços e bonecos, estão espalhados mais de 50 bichos de pelúcia. Chega a receber ainda 150 cartas por mês e dá um jeito de responder a todas. Um dos ursinhos do quarto, Giba usa como travesseiro. "Ele adora dormir com o Puffy", diz Fernanda, sua irmã mais velha
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